18/02/2011 – 21:39

19/02/2011

Eu larguei meu emprego ontem. Procurava uma maneira certa de como falar sobre isso. Eu precisei digerir. Não falamos do sabor de uma refeição enquanto ainda mastigamos.

Não sei bem porque tomei essa atitude. Apenas me pareceu a coisa certa a fazer. Quero dizer, eu sempre tive todos os motivos do mundo para ficar insatisfeito, por que justamente hoje? Eu não sei. Desci as escadas até a sala de minha chefe, ela falava com uma amiga ao telefone, então esperei.

Ela não aumentou as coisas além da realidade e nossa conversa não durou mais de 5 minutos. Gostaria que sempre fosse assim, mas infelizmente não é possível. As pessoas sempre estão procurando por um bom drama, como se isso pudesse fazê-las esquecer da falta de significância de suas vidas. Bem, eu não.

Antes de partir, segui pelos corredores até o refeitório e comi pela última vez aquela porcaria de comida. Quantos homens se alimentam diariamente daquela mistura sem sabor? É por isso que vejo tantos sujeitos abatidos por aí. Arrastam-se de volta ao trabalho como lesmas deixando seus dejetos por todos os lugares.

Incrivelmente, um toque de tristeza envolvia tudo. Pensava se algum dia eu sentiria saudades de alguma parte daquilo. Talvez quando eu for velho e já não tiver mais nenhum segundo de vida para gastar. Hoje não.

Eu peguei um ônibus de volta para casa, mas no primeiro sinal vermelho ficamos cerca de 10 minutos parados. Eu sentia que tinha tomado as rédeas de minha própria vida então decidi descer e voltar para casa a pé. Tomei um caminho que costumava usar quando era criança, passando pelo centro. Aprende-se muito sobre a cidade perambulando pelo centro. Você percebe que por um preço, tudo está à venda.

Segui o caminho e lá estava ele. Um muro pintado de tinta branca corroída por infiltração.  Ele costumava ser do mesmo jeito desde que eu era garoto. Eu passava em frente a esse muro e as falhas na pintura me faziam tentar identificar formas desenhadas. Cachorros, gatos, rostos deformados, qualquer coisa que eu pudesse imaginar na época. O tempo passa e fode com a nossa imaginação, não conseguimos mais ter boa impressão sobre nada. O mundo é muito cru, cagando sobre a gente o tempo todo. Hoje é apenas um muro branco arrasado pelo tempo.

Muitos escritores criam poucas coisas boas em sua vida. O livro é aclamado pela crítica e eles acreditam nos elogios, estão acabados. Alguns apostam em títulos que chamem a atenção. E conseguem. Porém seus livros são uma sucessão de porcarias sem tamanho. Eu geralmente preciso de algo que me ponha no caminho. Meu tanque está sempre cheio, mas acabo por tomar alguns caminhos errados. Preciso de algo que me sintonize. Acho que quando eu for velho esse problema terá acabado e com ele meu combustível também. De qualquer modo, nunca serei completo. A vida lhe dá e lhe tira muita coisa. Boa noite.

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17/02/2011 – 16:22

17/02/2011

Eu estava em um ônibus indo ao trabalho quando essa senhora escorregou ao descer e deu de cara com o concreto da calçada. Alguns dos passageiros se preocuparam em levantar seus rabos dos assentos para ver o que estava havendo. Outros xingaram o motorista como se ele fosse responsável pela idade e a falta de forças nas pernas da mulher. Enquanto isso, ela tentava se reerguer sem a ajuda das pessoas tão preocupas em gritar suas impressões sobre o acontecido. Ela que se foda.

Eu apenas aproveitei nosso pequeno tumulto. O mundo nos diz muita coisa diariamente, o escritor só precisa ter bons olhos e bons ouvidos para senti-lo como ele é de fato. Eu não preciso me trancar em um quarto escuro ou viajar para um retiro espiritual para encontrar sobre o que escrever. Tudo está por aí nos transportes coletivos, postos de gasolina, bancos. Esperando para ser observado. Se o escritor perde contato com esse tipo de coisas, está acabado. Se o escritor se deixa influenciar pelo público ou pelas correntes literárias em evidência, está duas vezes acabado.

Eu fui a uma livraria ontem e não havia nada a comprar. Quando se já leu uma parte considerável de boa literatura não há muito entusiasmo de dar tiros no escuro. Também não existem muitas pessoas confiáveis para indicar algo bom o suficiente. Então aqui estou eu, escrevendo minhas próprias criações. Tentando erguer meu pequeno império literário.

Às vezes eu penso em uma boa história enquanto espero nas filas do banco ou durante o almoço. Mas quando vou escrevê-la, ela se foi. Hoje percebi que talvez elas venham a mim na hora que eu mais precise delas, quando preciso distrair a minha mente para não pirar de vez. Há uma ordem para as coisas e eu estou grato por isso.

 

16/02/2011 – 22:06

17/02/2011

Eu queria ser escritor, mas me tornei um operário. Vendendo minha força de trabalho a trocados, vendo minha juventude pendurada em um gancho ser feita em pedaços a cada problema novo que preciso lidar.

Minha vida sempre foi uma espera constante para fazer as coisas que realmente gosto de fazer. Ir ao banco e esperar. Apanhar um ônibus e esperar. Agora sou sabotado por minha própria ansiedade, quando minha cabeça fervilha em idéias mas as palavras não parecem querer sentar ao meu lado para uma prosa.

As pessoas falam sobre artistas loucos. Sobre como a arte pode fundir nossas cucas com sua subversividade. Bem, eles estão apenas superestimando a porra toda. Eu escrevo porque preciso escrever, todas as palavras que não escrevo me deixam maluco. Não consigo administrar a quantidade de história presas no sótão da minha cabeça. Não poderia passar por um mundo como esses com a boca fechada. Isso, isso sim me deixaria pirado.

Quando escrevo é quando crio incêndios que não tenho certeza se poderei controlar, é quando me sinto vivo e percebo que não preciso da porcaria que alguns chamam de imortalidade. Quando não preciso envolver meu cérebro em uma embalagem plástica e engolir tudo o que vejo pelo frente. As palavras são carros a 160 quilômetros por hora passando sobre minhas próprias entranhas.

Eu tento esperar novamente. Adicionar mais uma fila à minha vida, mais um processo a separar minha chegada a mim mesmo. Digo, vá à casa de sua mulher, tente ver algum filme. Volte depois quando as palavras parecerem mais certas. Então eu vou lá fora e observo todas as pessoas e isso me afasta mais ainda de meu processo criativo. Fico meditando sobre como podemos ser tão diferentes a ponto de eu não conseguir falar sobre isso.

Eu estava voltando para casa hoje e vi essa garota jovem, com um belo par de seios com as mãos entrelaçadas as de um coroa de cabelos longos e brancos, óculos de armação grossa. Pinta de filósofo. Talvez ela esperasse que ele fosse capaz de salvar sua vida de todo o vazio aparente. Ou talvez ele tivesse bastante grana para lhe comprar dezenas de pares de sapatos por dia, ou mesmo possuir um caralho de trinta e cinco centímetros. De qualquer modo, percebi que não sou capaz de identificar a razão para as pessoas amarem umas as outras. Estamos todos morrendo, o homem é o câncer da terra e isso deveria ser o suficiente para nos agarrarmos uns aos outros.

Mas não.

Ancorado na terra de surdos

09/02/2011

Havia
um tempo
em que eu investia em
palavras
anunciando meus gritos
em todos os lugares
errados
sem conseguir fazer ninguém sentir algo real
de verdade

sem descrever rostos
distorcidos em estátuas de
bronze
ou as redes que balançavam em minha
infância
e nenhuma das coisas que
talvez
me ajudassem a erguer
meu pequeno império literário
ou  me fizessem
sentir melhor comigo
mesmo

Havia
um tempo
onde eu tentava
falar sobre
subempregos
e sobre todos os sonhos
jogados no
lixo
para pessoas que se sentem
realmente felizes com
suas próprias vidas

Você pode não
acreditar
nisso
mas essas pessoas
existem
e eu tento ficar
a uma distância segura
de cada uma delas

Vivendo do pouco salário
provido por seus pais
e observando suas faces
através de pára-brisas
enquanto eles tentam
aumentar suas bundas em
academias de musculação
e homens
de verdade
chafurdam por
comida
em grandes depósitos
de lixo

Dois caroços

01/02/2011

Eu estava em um ônibus
com um péssimo livro de poesia
que ganhei de uma garota em meu colo
e um homem me surpreende
com um papel dizendo,

PEÇO UMA CARIDADEDE
UM TROCADO
TENHO DOIS CAROÇO
NO ESTÔMAGO
CÂNCER
DUAS FILHAS
DEUS TENHA PIEDADE
DE NÓS

nenhum trocado o salvaria do cancêr
ou daria uma vida melhor
para suas duas filhas

E eu poderia encaixar aquele pedaço de papel
em qualquer livro ruim e ninguém
notaria a diferença
Ele apenas escreveu a sua dor e esperou
que alguém sentisse pena
por ela

Mas as pessoas não lhe deram nenhum dinheiro
e alguns começaram a o chamar
de vagabundo
apesar de sua semelhança com todos
aqueles poetas ruins
que elas amam comprar

Indo a lugar nenhum – 2

09/01/2011

Um cara do Grupo Fortuna ligou-me dizendo que eles analisaram meus testes e gostariam que eu aparecesse para conversarmos a respeito do emprego. Então desliguei o telefone e fui ao banheiro, e me banhei e fiz a barba, realmente tentando melhorar minha aparência. Então saí de casa, mas dessa vez levando algum dinheiro pra um ônibus.

Chegando lá um rapazote me encaminhou até a sala do sujeito que havia me ligado, que por sua vez disse-me que ele não era o cara com quem eu deveria falar. Eu deveria procurar por um sujeito chamado Parreira. Primeira porta a esquerda, logo após do banheiro.

A sala tinha algumas janelas de vidro e pude ver que Parreira falava ao telefone, então bati na porta com as costas da mão. Ele olhou pra mim através do vidro e sinalizou para que eu entrasse. Sentei-me enquanto ele continuava falando ao telefone. Ele não parecia se preocupar em eu estar ouvindo. E nem deveria, não consegui me concentrar no que ele conversava então olhei ao redor.

Após alguns minutos ele desligou e desculpou-se por deixar-me esperando. Sem problemas, eu disse. Ele me disse que analisaram minhas respostas nos testes e que gostariam que eu ficasse com o trabalho.

Eu quase não acreditava no que ele estava dizendo. Eu não entendia porque além de todos os caras eu parecia ser a pessoa certa para o trabalho. Quero dizer, eu escolhi algumas das respostas aleatoriamente e os outros caras não pareciam ser tão piores do que eu. Eu me perguntava que tipo de respostas os outros sujeitos podiam ter assinalado para que eu houvesse sido considerado o mais apropriado para o trabalho.

Que grande surpresa.

O mundo sempre nos pegando desprevenidos e arrancando nossas calças na frente de uma platéia inteira. Quando achamos que não há como ser pior do que somos sempre aparece alguém mais fodido.

“Nós do Grupo Fortuna, como uma empresa familiar, tentamos tratar nossos funcionários como se fizessem parte de uma grande família,” disse ele. “Porém, como pais confiantes, esperamos disciplina e boa fé nas suas ações.”

“Eu entendo.”

“O motivo de eu estar tocando em um assunto como esse é que estamos buscando ter um pouco mais de precaução ao contratar algum novo funcionário.”

A verdade é que Parreira parecia ser um marionete esculpido em um pedaço de carvalho. A forma de sua boca não mudava entre uma palavra e outra, apenas se movia para cima e para baixo emitindo sons que pareciam haver sido programados por uma outra pessoa. Uma outra pessoa acima de tudo isso.

Ele começou a falar sobre o trabalho. O Grupo Fortuna possui várias empresas, e essas empresas possuem vários clientes, então a relação entre eles deveria ser a mais agradável possível. Em algum lugar eu entraria criando cartões de agradecimento, aniversário e qualquer outro tipo de peça para campanhas de relacionamento que eles resolvessem desenvolver. Parecia ser um trabalho fácil e limpo, na verdade.

“Bem, o grande problema é que último cara que esteve na posição em que você logo estará bateu na cara da garota que atendia o telefone e anotava os pedidos. Por isso pedi para conversar com você pessoalmente, eu precisava me certificar que você é um sujeito em que podíamos confiar, para não sermos surpreendidos novamente com uma coisa tão chocante. No fim das contas tivemos que demitir ambos, afinal os dois foram os culpados por essa situação desagradável.”

O que diabos essa garota deve ter feito para deixar o cara tão puto a ponto de esbofeteá-la? – pensei – Deveria ser uma vadia ou o cara realmente devia ser um doente e tentou apalpar suas pernas enquanto trabalhavam. Pro inferno com eles.

“Entendo, senhor. Garanto que não terão esse tipo de problemas comigo. Tentarei agir da melhor maneira possível.”

Da melhor maneira possível, essa era uma promessa que eu podia manter.

Então apertamos as mãos e ele me pediu que eu voltasse na segunda-feira para trazer alguns documentos, assinar meu contrato e ser propriamente apresentado ao trabalho.

E foi assim que eu me tornei um fantoche corporativo.

Indo a lugar nenhum – 1

01/01/2011

É depois de uma longa caminha sob um sol de rachar que você se dá conta de que não vai chegar a lugar nenhum. Eu usava uma camisa azul e todas as vezes que o tecido tocava alguma parte da minha pele ficava marcado por uma nova mancha de suor.

Eu carregava uma pasta que ia revezando de mão em mão cada vez que ela se tornava pesada demais para carregar com uma mão só. Por alguma razão eu evitava trocar a pasta de mão quando passava por alguma mulher bonita. Talvez eu estivesse envergonhado por parecer um frangote. Mas o que é não conseguir carregar uma pasta, comparado a não ter dinheiro suficiente para um mísero tíquete de ônibus e estar com a roupa inteira manchada de suor?

Esse cara de uma companhia de empregos me telefonou convocando-me para uma entrevista e eu estava a caminho. As coisas não iam exatamente mal. Eu estava sóbrio há alguns dias e ao contrário do que pensávamos minha namorada não estava esperando um bebê. Além de me tornar pai, eu não via qualquer outro motivo bom o bastante para arranjar um trabalha, mas eu poderia contar com uma grana a mais. Menos fraldas e mais cerveja, afinal.

Chegando ao endereço que me passaram, um sujeito me acompanhou até uma sala. Cerca de 8 rapazes esperando. Todos procurando parecer eficientes com suas caras milimetricamente barbeadas.

No fim da sala, uma mulher estava sentada atrás de uma mesa folheando alguns papéis. Eu sentei próximo aos outros rapazes e tentei copiar suas expressões compenetradas enquanto esperava para ver se a mulher tinha pernas tão ótimas quanto a sua cara demonstrava ter.

Ela distribuiu uns papéis entre nós e recolheu nossas pastas que continham fotos 3×4, currículos e o que mais achássemos importante trazer.

“Esse documento que eu os entreguei é apenas um pequeno teste.” disse ela. “São situações do cotidiano, e preciso que marquem as alternativas que mais se assemelhem com a atitude que vocês tomariam nas determinadas situações. Lembrando que não existe resposta certa ou errada, isso é apenas um teste de personalidade.”

Olhei ao redor. Os rapazes a observavam atentamente e assentiam com a cabeça enquanto ela passava outras instruções. Eu apenas me preocupava em não ser surpreendido enquanto olhava para seus peitos.

Então a dama girou nos calcanhares e caminhou de volta para sua mesa. Mas que grande pedaço de rabo. Eu precisava deste emprego.

Eu comecei a ler as situações no documento do teste e nenhuma alternativa se parecia com algo que eu realmente faria. Então simplesmente comecei a marcar as opções que me pareciam mais sensatas.

Depois de terminar com a papelada caminhei até a mesa para reaver minha pasta. Saí deixando para trás alguns dos caras que ainda não tinham terminado com todos os testes.

Do lado de fora do escritório o sol brilhava fraco e seria uma bela caminhada de volta para casa. No meio do caminho um garoto que deveria ter uns 10 anos começou a caminhar ao meu lado e puxou firmemente pelo pulso.

“Me dê alguns trocados,” disse ele.

“Olhe pra mim garoto, eu não tenho dinheiro.”

“Mas você tem uma pasta. Os outros homens que saem daquele prédio carregando pastas têm bastante dinheiro.”

“Bem, eu não sou como eles. Acho que nunca serei.”

O garoto fez uma careta e abaixou suas calças balançando seu pequeno pinto para mim. Ele parecia não se preocupar com o que eu faria a respeito.

“Garoto,” disse eu. “você é livre de uma maneira que eu jamais serei.”

Isso provavelmente foi a coisa mais sincera que jamais alguém lhe disse, mas ele apenas continuou balançando seu pequeno pênis até que eu fosse embora.

 

Confissões

03/12/2010

Eu já havia nascido há pouco mais de 3 anos. Mas a primeira coisa que minha memória consegue alcançar é sobre eu sentado em uma calçada, à porta de um lugar onde eu nunca havia estado antes, um lugar que nunca sequer havia ouvido falar a respeito. Várias pessoas que eu não sabia quem eram afagavam minha cabeça e choravam. Algumas choravam de forma contida, outras de forma mais desesperada. Eu não sabia direito o que estava havendo, mas essa situação toda me fazia chorar também. Eu não me lembro de estar perto de minha mãe ou mesmo de meu irmão, mas hoje consigo imaginar onde os dois estavam.

Um tio se aproximou e interrompeu-me de continuar arrancando pedaços de capim que brotavam do espaço entre um paralelepípedo e outro e me perguntou se eu não queria vê-lo pela última vez. Respondi que não.

Vê-lo quem?

Meu pai, sendo sepultado. Eu nunca o vi depois de morto. Na realidade, nunca vi uma pessoa morta pessoalmente até meus 14 anos. A única representação que tinha sobre a morte na época era a de um esqueleto, e esqueletos eram assustadores para mim. Meu tio não forçou a barra. Fez bem. Eu não queria ver o que fazia as pessoas chorarem mais alto. E não sei se me arrependo disso. Meu irmão mais velho teve uma série de pesadelos horríveis após ver o corpo de nosso pai. Eu não sei se eu agüentaria, minha imaginação é muito fértil para conseguir conter a loucura diante de tal tormenta.

A verdade é, não me lembro bem sobre o que aconteceu nesse fatídico dia, ou mesmo nos dias anteriores a ele. É como se minha cabeça soubesse que minha vida iria ser completamente diferente a partir daquele momento. Como se todas as informações que eu havia assimilado até então fossem simplesmente desnecessárias. Bem, se eu pudesse escolher, escolheria lembrar-me de tudo. Mas a vida não é bem uma coisa sobre a qual tenhamos controle.

O que me dizem sobre meu pai é que ele era um sujeito muito boa praça, que todos gostavam. Até que um dia ele sofreu um acidente de carro a trabalho. O homem que bateu nele fugiu do local do acidente. Deixou para trás o carro de meu pai, abandonado na estrada e completamente destruído. Ele estava com medo. Minha imaginação fez o resto. O que não consegui lembrar direito ficou a cabo de minha cabeça, de um modo que as lembranças que realmente tenho se confundem com as que criei. Uma bagunça que definitivamente influenciou a forma com que eu viria enxergar o mundo. Minha mãe perdoou o motorista fujão. Não registrou queixa na polícia, nem mesmo xingou o desgraçado. Deixou pra lá. Ela sempre deixa pra lá, desde que o problema não envolva meu irmão ou eu. E quanto a mim. Passei muitos anos de minha adolescência planejando em minha cabeça um crime que sei que nunca cometeria. Eu era um garoto confuso. Ainda sou.

Então veio a escola. Educação primária. Minha mãe era professora de português e literatura na escola onde eu estudava, não era uma escola lá muito boa, mas eu não tinha tantas dificuldades. Durante muito tempo eu fui um dos melhores alunos da turma. Um dos primeiros a aprender a ler. Expert em cobrir a linhas pontilhadas ou desenhar frutas e coisas do tipo. Eu não entendia muito bem o que estava acontecendo lá, e acho que nenhum dos garotos entendia. Mas isso tudo enchia minha mãe de orgulho e eu não precisava me esforçar o mínimo para conseguir manter as boas notas.

Eu não tinha muitos amigos, mas isso também não me fazia muita falta. Eu andava com dois garotos de minha sala. Um casal de irmãos. O menino, até hoje não sei bem por que, se entupia de cheetos e vomitava em quase todos os recreios. A menina, bem, dizem que ela está muito bonita hoje, depois de quase 20 anos. Nunca tive a oportunidade de vê-la e nem sei se isso me importaria. Então depois que o menino tinha o vômito em sua farda limpo, nós aproveitávamos o restante do intervalo apenas passeando ou correndo pela escola.

Eu posso não lembrar-me de muitas coisas a respeito de minha infância, mas lembro-me de sempre haver algum problema. Qual a magnitude de um problema de uma criança a um enfrentado por um adulto? É estranho comparar, mas eu era apenas um garoto, não conhecia outro tipo de atribulação a não ser as que eu tinha vivido até então. Esses pequenos problemas vêm, até hoje, consumindo minha sanidade como uma pastilha efervescente atirada em um grande copo cheio de água.

Tinha um outro garoto na escola. Eu não me lembro de seu nome, mas lembro bem de sua cara. Ele gostava de enforcar os outros meninos e puxar a pele detrás de nossos pescoços. Anos mais tarde eu briguei com um garoto por vê-lo fazer o mesmo a um cachorro de rua.

Uma vez, um rapaz que já estava prestes a se formar estava bisbilhotando a nossa sala através de uma persiana. Nós éramos garotos de 6 anos, então hoje me pergunto se ele tinha algum interesse em pornografia infantil. O que aconteceu é que alguma das outras crianças enfiou um lápis no olho dele através do vão da persiana e ele cismou que havia sido eu.

Talvez ele tenha me perseguido só pra me sacanear por minha mãe ser sua professora, ou talvez apenas por eu ser uma criança assustada. Mas mesmo na época, eu pensava que se soubesse que ele infernizaria tanto minha vida na escola, eu realmente teria enfiado o lápis em seu olho.

Deve ter sido então quando mudei de escola. Na nova escola, agora de freiras. Todos os garotos pareciam ter interesse por algum esporte. E para mim, esportes eram tão estúpidos quanto qualquer outra coisa. Na sala de aula eu não ia tão mal, mas havia deixado de ser um dos melhores alunos há muito tempo. Ao contrário do primário eu tinha que me esforçar bastante para conseguir atingir uma nota alta. Eu observava os outros garotos obtendo resultados exemplares e depois olhava as minhas notas medíocres. Para mim eu havia atingido o ápice de minha inteligência, não conseguiria aprender mais nada que qualquer professor tentasse ensinar. Mas, mesmo assim eu era obrigado a acordar todos os dias às seis da manhã para ir pra escola. E eu simplesmente não conseguia entender a razão disso. Passei então a ignorar tudo o que me incomodava na sala de aula. Fazia questão de não aprender álgebra, problemas matemáticos ou ciências. Parecia ser apenas mais uma tarefa estúpida.

Não tomávamos café da manhã em minha casa. Eu não sei bem se é por que não tínhamos tempo na época ou outro motivo qualquer. Só sei que o caminho que tomávamos para ir à escola, eu mamãe e meu irmão, cruzava a rua mais malcheirosa da cidade. O antigo mercado de peixes. Era difícil encarar aquele fedor inteiro de barriga vazia e também haviam tantos outros caminhos para tomar. Não sabia porque minha mãe sempre insistia para irmos por aquele. Acho que hoje é tarde para questioná-la. Uma das primeiras atitudes que tomei depois que passei a ir e voltar sozinho da escola foi evitar completamente aquela antiga rota, algo que tornou minhas manhãs um pouco mais agradáveis.

Nos intervalos eu brinquei algumas vezes com os outros garotos. E é por isso que hoje sei que jovens tem muito mais culhões do que qualquer adulto. Eu não conseguia assimilar as regras de qualquer um dos jogos. A única semelhança entre eu e os outros garotos era a incrível capacidade de me machucar. Jovens não conhecem a vida. Jogam pelo agora. Apostam todas as fichas no momento. Jogam uma partida de futebol como se suas vidas dependessem disso. E quando percebíamos que íamos falhar, nos estropiávamos pela quadra de cimento batido. Quedas, arremessos, faltas. Quando se cai no chão duro de cimento ossos quebram, a carne machuca. Durante esses dias eu voltava para casa coberto de hematomas e ainda assim não conseguia sentir-me satisfeito com tudo aquilo. Houve uma vez em que fraturei um dos braços e só contei para mamãe passados 2 dias. Bem, essa vida não era pra mim.

Foi assim que me tornei um “veadinho”, esse era o jeito que os garotos chamavam quem não praticava nenhum esporte na hora dos intervalos. “Bem foda-se isso”, eu pensava, “não vou estourar meu rabo na porra dessa quadra só pra que esses filhos da puta achem que eu sou um deles.”

Com o tempo vieram as garotas e meu primeiro impulso era fugir delas. Eu tinha 12 anos e não sabia o que fazer a respeito. A situação me causava dor de barriga e eu não sabia o que dizer. Depois de um tempo, quando eu comecei a aprender o que dizer e a vontade de estar com as garotas veio, vieram também as espinhas. Eu as olhava no espelho. Caroços brancos espalhados em minhas bochechas e ao redor de meus olhos. A testa, único lugar de meu rosto livre delas, era coberta por meu cabelo. Grandes merdas então, ahn? Eu as espremia e um caroço branco saia e então vinha um fio de sangue. Repetia isso todas as manhãs e ainda assim não conseguia me livrar delas. Ainda hoje tenho algumas. Talvez por isso não goste de espelhos ou tirar fotografias. Encarar-me no espelho enquanto corto os cabelos por mais de 15 minutos parece uma tortura.

Assim eu era um “veadinho” de 13 anos, com notas regulares, sem chances com nenhuma garota realmente bonita e sem a mínima vontade de começar a praticar algum esporte ou me dedicar mais aos estudos. O que eu via nos livros em sala de aula era tão distante do que eu estava vivendo. Achava que os professores estavam me tapeando. Eu, vítima de uma grande brincadeira de mau gosto feita por alguém que organiza o destino dos sujeitos que vivem nesse planeta. O que eu faria durante o meu tempo de escola? Até mesmo conversar durante os intervalos era pedir demais pra mim, eu não conseguia manter uma conversa de mais de 5 minutos com quase nenhum dos colegas de classe.

Então em algum lugar nessa época conturbada apareceu-me a literatura. Sem ter pra onde ir, subia até a biblioteca da escola. Eu lia sobre dragões. Cavaleiros e suas façanhas para resgatar princesas e rumar em direção a uma felicidade eterna. Eu estava encantando com a forma com que podíamos nos transportar para outro lugar apenas lendo aquelas palavras. Porém o conteúdo não me deixava satisfeito. Esses livros pareciam tão distantes de mim quanto os livros didáticos, mas mesmo assim serviam pra passar o tempo. Enfim nas aulas de literatura conheci grandes nomes como Augusto dos Anjos, Alphonsus de Guimaraens e Cruz e Souza. Eu lia todas essas obras desses caras cheios de dor e achei que de algum modo a literatura poderia me salvar.

Eu voltava à biblioteca e procurava por mais livros. Não era fácil achar livros bons em uma biblioteca de uma escola de freiras. Para saber se o livro era bom eu abria a primeira página e lia o primeiro parágrafo, e se este parágrafo parecesse bom eu continuava a ler o outro, e então o outro. E foi assim que conheci Dostoievski, Tchekhov, Kafka, Karl Marx e os outros. Eu percebi então que as histórias não precisavam de dragões ou de amores perdidos para serem grandiosas. Histórias eram feitas de homens, assim com eu, ou como fosse que possa estar lendo. Homens comuns, mas dotados de sentimentos e representações da realidade que apenas pertencem a eles próprios. Assim comecei a experimentar, rascunhar histórias que nunca cheguei a terminar, nada nunca parecia ser bom o suficiente. Nada parecia ser suficiente para fazer as outras pessoas sentirem o que eu sentia também.

O tempo passou e veio a bebida. A primeira vez que bebi pra valer tinha 15 anos e acabava de ter dado o fora em uma namorada. Eu gostava bastante da garota. Mas a mãe dela era o diabo e eu não sou nenhum tipo de santo. Eu não consegui agüentar. É difícil deixar pra trás algo que você gostaria de carregar sempre consigo. Então eu e meu irmão fomos ao um bar perto de nossa casa e tomamos umas cervejas, por sua conta. A verdade sobre a bebida é que nós não nos tornamos outra pessoa quando bebemos. O mundo é que deixa de nos agarrar pelo pescoço e nossas defesas finalmente caem. Podemos ser livres pra agir do jeito estúpido que sempre desejamos agir, mas alguma coisa não nos permitia. Eu não consigo imaginar viver sem o acesso a esse tipo de possibilidade vez ou outra.

Drogas nunca funcionaram pra mim. Pelo simples motivo que eu não consigo tolerar drogados. Nada exagerado, a presença deles me incomoda tanto quanto a presença de qualquer outra pessoa, mas a áurea de santidade que eles atribuem a toda porcaria que estão fazendo me deixa enjoado. Não sei lidar com a maneira com que as pessoas precisam se agarrar em significados inventados para forjar uma felicidade que não existe. Sinto-me no colégio de novo, fingindo gostar de esportes pra ser aceito como mais um novo membro no clube dos babacas.

Vieram mais garotas com o tempo e uma delas me trouxe Charles Bukowski. Se você estiver lendo isso, doçura, muito obrigado. Com Bukowski veio John Fante, Hemingway, Dos Passos, Henry Miller, Pedro Juan Gutierrez, Sherwood Anderson, e.e. cummings e os outros.

Esses caras educaram meus olhos a enxergar o mundo da maneira como ele se apresenta de verdade. E não daquele jeito que você vê na TV ou no cinema. Através da literatura eu percebi que não estava sozinho. Era mágico ler pela primeira vez um conto de John Fante ou uma poesia de Charles Bukowski. Sensações que dificilmente provarei de novo. O mundo mostra a cara pra você e depois o engole, fazendo que você se acostume com a vida como ela é. Não há espanto, não há estranhamento, há pouquíssima vertigem. E assim a gente vai vivendo.

Eu passei a encarar a literatura com mais fidelidade. Me compromissar em ao menos finalizar meus textos. Minha cabeça se tornou uma fábrica de situações impensáveis e eu comecei com os contos curtos em primeiro plano, já que nunca fui um bom poeta.

Veio a faculdade, o trabalho, a obrigação (ou a necessidade) de ganhar dinheiro. O que tenho a dizer sobre a faculdade é que ela é muito semelhante a escola, a única diferença é que os alunos da faculdade acham que sabem de alguma merda sobre a vida. Do mesmo modo que eu não entendia os colegas do colégio, não entendo os da faculdade. Não entendo aqueles que a levam a sério demais, tampouco aqueles que não a levam nem um pouco a sério. A falta de compreensão acerca de algumas coisas da vida me faz levantar duas teorias sobre mim. A que eu posso ser retardado. Ou a que simplesmente as coisas não são postas de maneira clara o suficiente. Há sempre camadas, véus que vão caindo e a gente vai compreendendo mais um pouco com tempo.

E há uma garota. Uma garota doce a ponto de me fazer agir com gentileza. Uma garota que não citarei em meio a questionamentos, talvez por eu considerá-la uma das poucas certezas sobre o que sinto pelas pessoas.

O fim ainda não chegou. Para muitas pessoas nossa geração testemunhará o fim do mundo, que se aproxima pacientemente. Se realmente for verdade, vai ser o diabo de um espetáculo não?

Cabe aguardar. Esperar que o fim venha ligeiro, ou que venham coisas pelas quais valham a pena viver mais um pouco. Situações verdadeiramente significativas ou mesmo excitantes que às vezes encontramos perdidas no meio desse monte de coisa nenhuma.

Ainda há tanto sobre o que escrever.

O grande assaltante de ônibus

01/11/2010

Era um dia quente e eu estava no ônibus quando ele subiu. Eu não lembro para onde estava indo ou de onde estava vindo. Com o tempo esse tipo de informação perde sua importância.

Um dia morreremos, mas antes iremos perceber que perdemos nossas vidas inteiras trancados dentro de ônibus cheios ou em pé em filas de banco.

O cara passou pela roleta e gritou. “Eu irei me sentar, paguei a passagem como qualquer um de vocês e mereço escorar meu rabo em alguma cadeira.” E então ele se deslocou por entre as pessoas, algumas vezes tendo que empurrá-las. O ônibus estava realmente bem cheio.

Sentado de longe, eu o observava se aproximar de mim. Ele era um daqueles tipos barulhentos. Um que você não gostaria de ter ao seu lado, mas a sua sorte insiste em aproximá-los.

Depois de esbarrar em um cara ele gritou. “Ei, seu grande pedaço de merda. Cuidado comigo, fique fora de meu caminho, eu sou um assaltante perigoso.”

Então o grande assaltante sentou-se ao meu lado.

– Ei, sua vagabunda obesa, da próxima vez tente não passar óleo de motor no seu cabelo – gritou para uma moça a nossa frente.

Depois de uma brecada brusca do ônibus, ele olhou para meu rosto e então para minha bolsa e perguntou-me o que havia nela.

– E o que você tem com o que tenho na bolsa? – Perguntei-lhe.

– Ei cara, é bom você mostrar um pouco de respeito. Eu sou um grande assaltante. Eu sou perigoso, homem. Eu posso roubá-lo a qualquer momento.

Não respondi nada dessa vez.

– Ei, balofa. Quando eu passar por você seu cu não será perdoado! Qual a diferença entre seu rabo e sua cara? Eu não consegui encontrar nenhuma.

Enquanto ele falava, algumas pessoas riam, algumas pessoas olhavam com caras de indignação e outras apenas o ignoravam.

Eu não conseguia entender as pessoas que riam.

– Ei motorista, espere e verá. Eu vou assaltar esse ônibus! Eu sou perigoso, compadre. Eu sou a porra de um maluco. – Ele gritava enquanto ria e me cutucava com um dos cotovelos.

Eu não conseguia mais agüentar sua voz, já estava começando a ficar enjoado quando ele me perguntou novamente o que havia em minha bolsa. Eu só estava rezando por um acidente de trânsito, um pneu furado, falta de combustível, o retorno de Jesus Cristo ou a chegada dos cavaleiros do apocalipse.

Qualquer coisa que o fizesse fechar a maldita boca.

– Escute garoto, não me importo se você acha que é a porra de um assaltante, só cale a sua maldita boca ou eu te arremessarei pela janela. – Disse-lhe.

– Você se acha durão não é? Vou deixá-lo sobreviver, compadre, o mundo precisa de mais pessoas duronas como você. – Disse olhando para mim e então gritou – Estão me ouvindo? Esse cara aqui ao meu lado é um cara durão. Mas vocês não têm saída. Eu sou muito perigoso, estão me ouvindo? Muito perigoso!

Sua voz soava de um modo engraçado e algumas pessoas se puseram a rir. O grande assaltante ficava aborrecido e inquieto ao meu lado, se acotovelando e tentando achar uma posição confortável na poltrona. Ele se manteve calado até chegar ao meu ponto de ônibus. Eu desci e observei o ônibus fazer uma curva e sumir pelas ruas da cidade.

Eu já estava bem longe quando o grande assaltante estourou os miolos do motorista e anunciou o assalto.

[OFF] Oncoming Truck

22/10/2010

www.oncomingtruck.wordpress.com

 

Queridos Leitores,

Infelizmente dessa vez não trago nenhum conto. A razão desta postagem é a divulgação de um novo projeto meu para todos vocês que gostam da maneira que eu escrevo.

Quando eu criei o Sebastião não está morto, eu tinha uma proposta em mente. Uma proposta que acredito ter deixado bem clara em cada palavra escrita aqui neste blog. Eu queria vê-los sentindo-se sujos, tocados, agredidos. Queria trazer a realidade seca para cada um de vocês. Tentar mostrar para o máximo de pessoas o que não é bonito de se ver, mas que está por aí em cada beco, esquina, bar e fábrica do mundo.

Mas, desde que escrevi certa história (que inclusive foi postada aqui como “Promíscuo Plínio”) alguns fantasmas vêm me perturbando. Desde que pontuei esse conto vinha sentindo como se tivesse deixado algo para trás. E depois de muito pensar a respeito, acredito ter recuperado o que perdi nessa história.

Agora, o que eu vinha achando incompleto começa a tomar forma e decidi compartilhar com quem quer que se importe. O Plínio me deu a oportunidade para falar sobre temas que há muito queria publicar para vocês, mas a vontade de manter a coerência nesse blog me fez adiar.

Finalmente, cortando a enrolação, decidi abrir um novo blog, onde pretendo publicar os textos referentes a essa novela que venho escrevendo (e que ainda continua sem título, diga-se de passagem).

O oncoming truck é este novo blog, onde postarei os capítulos deste novo folhetim que venho escrevendo. É uma história linear, e não uma série de contos. Por isso vocês precisam acompanhar caso queiram entender a história.

Para aqueles que não se interessarem pela novela, garanto que continuarei sim com o Sebastião. Afinal de contas , somos a mesma pessoa.

Esse é o primeiro (e espero ser o último) off topic deste blog.  Apesar de eu não gostar desse tipo de coisa, em respeito a quem procura por literatura. Mas, acredito que não haja um lugar melhor para divulgar esse novo trabalho.

Espero que acessem, espero que leiam e espero que gostem.

 

www.oncomingtruck.wordpress.com

Atenciosamente,

Luan Brito

ou Sebastião Bravo